Espalhou
os pingos da chuva que emboçavam a janela, olhou o céu que estava nublado, a
chuva havia estiado e esperaria mais um pouco para ir a quitanda, enquanto isso
pegou a caixa de fotos antigas que deixou sobre a mesa na noite anterior e
ficou a olhar as fotos novamente, uma a uma, parecia que tudo estava
acontecendo naquele momento, via tudo tão nítido, tão perto, tão real, o pé de
chuchu, a amendoeira, o bambuzal lá no fundo do quintal, a cerca de arame, é
mesmo, naquele tempo ainda não existia o muro de tijolos, ficou olhando as
fotos por mais algum tempo até o tempo firmar, só então pegou a bolsa, a sacola
e a sombrinha para garantir caso a chuva voltasse a cair. Chegou na quitanda
que aquela hora estava um pouco movimentada, escolheu alguns legumes, não
muito, para não pesar demais, escolheu chuchu, cenoura, jiló, beterraba,
batata, cebola e algumas frutas, poucas também, eram só para ela mesma, então
pegou maçã, pera, banana e um pedaço de melancia e foi em direção ao caixa,
entrou na fila.
- Senhora
sua fila é aquela – Disse um homem tocando seu ombro.
Ela olhou
para ele que continuou.
-
Prioridade senhora, a fila é menor.
Ela
agradeceu e entrou na fila onde só havia outra senhora, mais ou menos da sua
idade. Foi quando entrou uma jovem mãe e o filho, um menino de uns cinco anos
que entrou correndo quase lhe tocando. Ela olhou o menino correr pela quitanda,
com tanta energia, tanta vida pela frente e sentiu um aperto no peito, sentiu
lembrança, sentiu saudades de correr daquele jeito, sentiu saudades, sentiu
saudades.
Arnoldo
Pimentel
Amigo (a) leitor (a), seja sempre bem vindo (a), este
conto faz parte da Trilogia Contos da Solidão, se puder leia os outros contos
da solidão, de minha autoria, links abaixo, desde já agradeço, muito obrigado
mesmo.
A PARTIDA
GDÁNSK