FOLHA CULTURAL PATAXÓ

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sábado, 8 de setembro de 2018

"Agridoce", 1999 - Fabiano Soares da Silva



5ª publicação da Folha Cultural Pataxó – "Agridoce" foi o nome do livro de poema de Fabiano Soares da Silva publicado em 1999. A edição foi digitalizada e diagramada pelo autor e por Marcos Aleixo, um amigo que fazia edições de vídeo e imagem para festividades na região de Belford Roxo. Teve sua matriz feita em uma impressora matricial, em Xavantes, bairro da periferia da cidade e reproduzida em uma loja de “xérox” no centro de Nova Iguaçu-RJ. Nesta edição encontra-se: apresentação de Antonio Cabral Filho, trinta e sete poemas dividido em três partes, - Ferro e Flor; Sonetos? Talvez; e, Já é Hora, uma pequena biografia sobre o autor, uma errata no final do livro e a logo MGA Multimídia que divulgava o serviço de edição e impressão de Marcos Aleixo. No ano seguinte, teve uma segunda edição redefinindo a dinâmica da cooperação entre poetas, militantes e artistas da periferia. 

É desse livro que encontramos o poema "Verde Continental", publicado em outros periódicos:

“Foram nossos frutos
Arrancados,
Nossos galhos
Cortados e quebrados
Nossos troncos queimados
Contudo nossas raízes
Ainda vivem”.


Gambiarra Profana e Folha Cultural Pataxó.

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

"Fonte da Rosa", 1997 - Fabiano Soares da Silva


4ª publicação da Folha Cultural Pataxó "Fonte da Rosa" de Fabiano Soares da Silva publicado em 1997. – Foi o livro que seguiu os passos de digitação clandestina no intervalo de turmas do curso de MSDOS, onde o jovem professor de informática, Wilson, solidarizava permitindo a utilização do equipamento. O livro conta o registro de treze poemas, algumas ilustrações do autor, pequena biografia e uma apresentação escrita em uma máquina de escrever elétrica. 

Neste livro encontra-se registrado o poema "Feira de Areia Branca":

“Venderam , venderam aqui
O ouro alaranjado da minha tarde,
Venderam o ouro da tarde,
Venderam também o ouro que radia a tarde.
Aliás impropriamente venderam o homem e a terra .
A longínqua marcha vem fecundando seus filhos,
E essa é a esperança. – Parem tudo!
- O martírio abrandou-se como a noite abranda o dia.
Três crianças se desfizeram no ar
E qualquer notícia crucifica o desespero invulnerário.
Corações da terra palpitam por liberdade
Em três corpos extra-territoriais.
Xô, xuá... mudar! Mudar o mundo mudado!
Assim como os pássaros
Mudam de ninho.
¿Y los niños? O que irão mudar?
Mas é o hoje que se faz o amanhã.
Vamos lá, vamos todos para a praça
Vamos para a feira da manhã
Vê se a xepa ainda é o prato típico do Brazil.”

Gambiarra Profana & Folha Cultural Pataxó

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

"Poema, pequeno!", 1996 - Fabiano Soares da Silva


3ª publicação da Folha Cultural Pataxó "Poema, pequeno!" de Fabiano Soares da Silva - Pequeno livro de poema, publicado em 1996, sem apresentação e com reunião de treze poemas prematuros com algumas ilustrações desproporcionais feitas pelo autor. O livro digitado entre as aulas de um curso de Wordstar em Nova Iguaçu, impresso em uma loja (copiadora) próximo à rua Quintino Bocaiuva e editado com transfer de letras vendido na papelaria Casa Cruz. 


Nesse livro encontra-se o poema "Por você":

“Faltou o leite da criança
E a jovem-filha
Com sua jovem-mãe
Veem o jovem-pai que sai
Na velha-vida
Condução, passagem,
Calote...
A esperança foi a primeira
Era uma passageira
Esperando seu dia chegar”

Gambiarra Profana e Folha Cultural Pataxó.

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

"Et Cœtera, poesias", 1996 - Fabiano Soares da Silva


2ª publicação da Folha Cultural Pataxó "Et Cœtera, poesias" – Pequeno livro publicado em 1996, deFabiano Soares da Silva conta com a presença de onze poemas e uma pequena apresentação em forma de poema.

O livro é uma releitura de um projeto de livro feito todo com colagem de revista e fotografia. Teve na edição e arte a participação de Raimundo Bemvindo Gomes.

Encontra-se nesse livro o poema "Uma etapa da vida I":

“Revolução sexual
Do amor livre,
Rosas que desafiam
Os estigmas do tempo.
Não se ouve palavras,
O que brilham são os olhares.”

terça-feira, 4 de setembro de 2018

“Evento da Vida”, 1995 - Fabiano Soares da Silva

Segunda tiram da publicação, com capa de cor cinza

1ª publicação da Folha Cultural Pataxó “Evento da Vida”, do ano de 1995, de Fabiano Soares da Silva. Coletânea de poemas organizada de modo independente, de montagem e de reprodução, com o poeta Antonio Cabral Filho e, suporte de editoração digital com Maurício Campos Dos Santos.

É deste livro o poema "Convívio" declamado até hoje nos saraus em que a Gambiarra Profana participa.

Convívio

A Mãe saca a arma,
Mira, com felicidade eufórica
E atira
Na boca da criança
O leite materno.

terça-feira, 7 de novembro de 2017

A BATALHA NEGRA OU OS HOMENS QUE ESTAVAM NA VARANDA SE PROTEGENDO DA TEMPESTADE SOBRE O BOSQUE

A BATALHA NEGRA OU OS HOMENS QUE ESTAVAM NA VARANDA SE PROTEGENDO DA TEMPESTADE SOBRE O BOSQUE


- Menininho, venha aqui pra dindinha ajeitar esse uniforme. Hoje é seu primeiro dia na escola, tem que ir bonito.

O menininho foi até a dindinha que ajeitou o uniforme.
- Menina, cuidado com ele no caminho pra escola.
- Está bem tia.
- Agora vão pedir a benção a vovó e a mamãe.

A menina e o menininho foram a até vovó, a abraçaram e disseram:
- Sua benção vovó.
- Deus abençoe vocês.

Depois foram até a mãe:
- Sua benção mamãe.
- Deus abençoe.

A mãe se abaixou, abraçou e beijou o menininho, depois abraçou e beijou a menina.
- Não se esqueçam da dindinha. – Disse a vovó.

Eles abraçaram a dindinha e pediram a benção.
- Deus os abençoe meus anjos.

Quando estavam saindo pela porta da sala, a mãe disse:
- Menina, cuidado com ele, não atravesse na bomba, é perigoso, passe pelo parque para atravessar a rua.
- Sim senhora mamãe.

Eles saíram da casa, a menina fechou o portão e seguiram o caminho da escola pelo canto da calçada. Foram devagar e o menino parecia tranquilo, sem aquele medo da escola que era tão comum, depois de alguns minutos caminhando passaram pelo parque.

- A mamãe falou para atravessar pelo parque. – Disse o menino.
- Pela bomba é mais perto, não tem perigo. – Disse a menina
- A mamãe falou. – Disse o menino.
- Está bem, vamos pelo parque. – Disse a menina voltando e entrando no parque.

O parque de diversões ficava num terreno grande e só funcionava nos fins de semana, mas tinha a passagem livre e as mães preferiam atravessar por ali e não pelo posto de gasolina, chamado por alguns de bomba. Eles atravessaram a rua e seguiram em direção à escola. Um pouco antes da escola o menino parou.
- Menina, que lugar é esse todo de pedra?
- É um lugar aonde as pessoas buscam coisas invisíveis.
- É bonito lá dentro?
- Dizem que é muito bonito.
- E lá em cima, o que é?
- É uma torre, de lá dá pra ver muito além do mar.
- E você acredita em coisas invisíveis?
- Acredito, mas às vezes tenho medo.
- Medo de que?
- De crescer e deixar de merecer.
- Mas todos nós vamos crescer.
- É disso que tenho medo, de crescer.
- De crescer?
- De crescer e não ver mais o céu.
- Mas...
- Agora chega de conversa, chegamos na escola.

A escola parecia grande, e ficava ao lado da igreja de pedra, tinha dois pinheiros na entrada e dois lá nos fundos, depois do pátio, junto ao muro. O menino sentiu um certo tremor, mas foi em direção ao portão sendo puxado pela menina que estudava ali mesmo, ele olhou e entrou.

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

BATALHA DO PACÍFICO

A BATALHA DO PACÍFICO

A BATALHA DO PACÍFICO

         O avião pousava no meio da rua. A rua era comprida e larga. Quase não havia casas. Eu costumava ficar na calçada da farmácia e de lá podia ver quando fazia a curva próximo da serra. Nesse momento eu saía correndo com os braços abertos como se estivesse num voo rasante sobre meu alvo numa batalha e ia, com os outros garotos da minha idade ver o pouso de perto.
          Depois de pousar o piloto agradecia os aplausos, nos abraçava e seguia para a padaria para tomar um café e conversar. Nós ficávamos ali, perto do avião, olhando todos os seus detalhes, esperando a hora de levantar voo. Era um avião daqueles usados na segunda guerra pelos americanos. Um avião com suas glórias e seus pecados. Um avião com seus sonhos e seus pesadelos.
          Eu gostava tanto que perturbei um vizinho que trabalhava com madeira até aprender fazer pequenos aviões. Fiz uns cinco aviõezinhos  de madeira e brincava com eles na varanda da casa onde morava. Tinha voos rasantes e terríveis batalhas aéreas.
         Um dia a rua foi diminuindo, muitas casas foram nascendo e o avião que ali pousava desapareceu, assim como meus aviões de brinquedo, que foram sendo deixados de lado conforme o tempo passava e eu crescia.
         De repente me vi numa batalha muito pior, muito mais difícil que aquelas aéreas no tempo de criança, mais real que Memphis Belle ou os filmes de batalhas aéreas com John Wayne, Gregory Peck ou Clark Gable, aquela que todos nós enfrentamos um dia, a batalha da vida. A batalha que por mais que façamos, por mais que lutamos, com lágrimas ou sorrisos, com chegadas ou partidas, com flores raras ou flores simples, daquelas lindas, colhidas em qualquer jardim, um dia chega ao seu fim.
Autor: Arnoldo Pimentel