Sarau Poesia D' esquina
* Tico's Bar e Karaokê na Cidade de Deus,Rua Carmelo,1
15 de Março de 2012
19:30 até 23:00
Poesia em excesso + exibição do curta "Tempo de Criança" do diretor Wagner Novaes + Samba com Dona Tuca
COM CHEGAR:
Em caso de ônibus rumo à Madureira, Riocentro, Taquara ou Méier, descer no ponto Mocidade Unidade de Jacarepaguá e atravessar a rua. Em caso de ônibus rumo à Barra, Castelo ou Tijuca descer no ponto da Igreja Amarela e andar em direção contrária ao ônibus.
Em caso de carro particular, deve-se percorrer a Rua Edgard Werneck até à altura1600 em frente à EM Alphonsus Guimaraens e entrar na rua Carmelo. O bar localiza-se na esquina desta rua.
FOLHA CULTURAL PATAXÓ
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domingo, 4 de março de 2012
quinta-feira, 1 de março de 2012
Negra Loura

Desceu em Belford Roxo
De um ônibus que vinha de Vilar dos Teles
Sua pele era de feijoada
Mas seu cabelo era puro trigo.
Sua pele era de noite
Mas o seu cabelo era o horizonte de tardinha.
Falsa britânica
Nórdica preta
Africana de cabelo pintado entre o castanho e o dourado
Zulu disfarçada de branca.
Entrou na padaria
Pediu um refrigerante
E cruzou suas grossas coxas
Debaixo de um curtíssimo jeans rasgado.
A rapaziada toda olhou e babou
Ela toda no pensamento
Imaginando estar no século retrasado
E possuir aquele território à revelia
Que parece ter saído de uma letra
de Benjor ou Melodia.
Bebeu tudo numa só golada
Pagando a conta
Saiu não só levando
O louro e duro cabelo entrançado
Acima do sorriso amarelo
Mas também o olhar de todos nós
Entre aquele busto
Que eram dois maduros jamelões gigantes
Embaixo daquele vermelho sutiã.
Sumiu entre pagodeiros e funkeiros
Entre credores e devedores
Entre viajantes e farofeiros
Entre pequenos empresários e vendedores.
Ela saiu do nada
E foi com tudo para qualquer lugar
Tomando seu sorvete demais
Deixando em sua língua
Que nos banhava em sonho
O sabor daquele morno verão.
Marcio Rufino
domingo, 19 de fevereiro de 2012
Aos caminhantes.
*Um escrito, aberto para quem quiser reescrever, gritar, escrever junto...Esta aí:
Aonde é que sentimos a corda roer? Tentam nós arruinar nas Escolas;
-Tentam me doutrinar, para não indagar na Igreja ou em qualquer outro espaço Deus;
- Cegam-me nas tentativas; que faço ao remover o ódio entranhado, contra aqueles que não são semelhantes a nós;
Carregamos flores mortas e rastros de sangue... De irmãs e irmãos, que tiveram suas vidas ceifadas, em prol de que? Para que ruas sejam nomeadas com nomes de bandidos e facínoras, ou para que seus nomes sejam endeusados nas capas de Jornais.
Vale a pena não! Guerreiros e Guerreiras despertos, o processo é lento mesmo, mas engrena, mesmo que tentem esterilizar nossas sementes, renascerão outras primaveras.
Aonde é que sentimos a corda roer? Tentam nós arruinar nas Escolas;
-Tentam me doutrinar, para não indagar na Igreja ou em qualquer outro espaço Deus;
- Cegam-me nas tentativas; que faço ao remover o ódio entranhado, contra aqueles que não são semelhantes a nós;
Carregamos flores mortas e rastros de sangue... De irmãs e irmãos, que tiveram suas vidas ceifadas, em prol de que? Para que ruas sejam nomeadas com nomes de bandidos e facínoras, ou para que seus nomes sejam endeusados nas capas de Jornais.
Vale a pena não! Guerreiros e Guerreiras despertos, o processo é lento mesmo, mas engrena, mesmo que tentem esterilizar nossas sementes, renascerão outras primaveras.
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
Homem-Peixe

Pulou para fora do aquário
Rastejou-se no carpete
Procurou um mar imaginário
Sem que ninguém soubesse.
Rolou da escada
Querendo alcançar a rua
Chegou até a escada
Saiu embaixo da chuva.
Seguiu pegadas
Deixou vestígios
Descamou-se em estradas
De delírio.
Atravessou pistas
Chafurdou na lama
Prejudicou as vistas
Machucou as barbatanas.
Mergulhou em poças
Refugiou-se no cais do porto
Esbarrou em louças
Sem nenhum conforto.
Buscou um barraco
Um pedaço de vitirne
Uma peça de teatro
Um roteiro de filme.
Um conto
Uma canção
Ficou sem ponto
Sem noção.
Nada encontrou
Nem mesmo um tema
Só se encaixou
Neste poema.
Marcio Rufino
sábado, 7 de janeiro de 2012
...
O coração (ainda) resiste, ainda em mim reside muito daquilo, que quer negar, mas, chega de diplomacia; com essa sua maneira de querer fingir, que nada ocorreu e às escondidas, continua a querer sangrar e sugar o que, há de pulsante e que aos seus olhos parece incorrento e sem os seus, ares de "civilizado"...
Lança fora tua pureza e tente por a tona a história, não contada e tente rir de você mesmo, assim mostrara, algum traço de que, novos caminhos podem ser traçados.
Suas mágoas assombram muitas madrugadas, liberte...LIBERTE e deixe, que sua alma respire!
sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
Os Causos e As Poesias de Adelino Filho
Neste vídeo a Folha Cultural Pataxó e a Gambiarra Profana apresentam o livro "Causos e Poesias" do poeta Adelino Filho em uma atividade realizada no dia 13 de agosto de 2011 na Escola Municipal Heliópolis em Belford Roxo/RJ.
Cãmeras: Lenne Butterfly e Vantuir Marques.
Edição: Sergio-SalleS-oigerS
Música 1: "Santo Cosme e São Damião" de Sergio-SalleS-oigerS.
Música 2: "RT" de Rafael "Polêmiko" Garcia.
sábado, 24 de dezembro de 2011
O Dia Escuro

Na manhã estranha
De tardes tacanhas
Saio com o dia escuro
Embaixo de nuvens negras
Entre as luzes ainda acesas.
No infinito ainda o reflexo
Da queda do último relâmpago.
As marcas da tempestade
Que escureceu todo meu âmago.
Nada impede que eu ande
Entre casas sem muros
De mármores escuros.
A ventania soprando mundo afora.
Talvez eu quisesse ter alguém
Do meu lado agora.
Na primeira esquina
Cruzo com o sorriso aberto
De uma criança escura
Que clareia toda a rua
Que esclarece toda dúvida.
Ninguém sabe o que se passa dentro dos aviões,
Dos carros, ônibus e caminhões
Que param e passam,
Que dão passagem e atropelam,
Passam por cima e salvem
E deixam morrer na estrada molhada de chuva.
Nem por dentro da cabeça das pessoas que não sabem
Que o sorriso largo da criança
Perante o dia escuro
É tão contraditório
Quanto o vôo da ave de rapina
Pelo céu e mar limpo
Entre o sol mais que vivo.
Dias escuros, noites claras,
Manhãs violentas, tardes lentas.
Amores aflorando, ódios sangrando,
Corpos transando, cabeças rolando.
E o dia escuro cresce.
Assim ele aparece.
Assim ele se determina.
Assim ele domina.
O olhar dos que vêem seus filhos
Irem à escola em capas que os protegem da chuva,
Mas não do frio.
O olhar dos adolescentes mortos de tédio.
A perda da vida das cores das tintas.
O triste impulso sem graça do céu cinza.
O fraco aspecto de ternuras sem carícias.
os cruéis detalhes das últimas notícias
Dos jornais, das revistas, nas bancas, livrarias.
A velha que escorrega
Caindo na lama.
Os corpos que batalham
Desejando ainda estar na cama.
Comanda os pensamentos poluídos dos homens do mal
Que guardam o sexo na cabeça e as idéias no pau.
O fundo do coração das moças de mente vazia
Que fazem bebês assim como fazem comida.
A teimosia das aves que não se cansam de voar.
A bravura das árvores que insistem em respirar.
Talvez o mistério da noite venha esconder o medo no olhar.
Mas a realidade é má e tão fácil não irá nos desvencilhar.
E o negro do sorriso da besta
Cobrirá o branco da lua,
Como a urina do bêbado
Escorrendo da calçada para rua.
Se é doce morrer no mar
É amargo morrer no asfalto
Não vale morrer de enfarte
Depois de escapar do assalto.
Nos móteis, os debates de ego
Que se fingem de sexo
Com certeza se acirrarão.
Só que eles nunca saberão
Que nas minhas mãos está a soluçao
Da limpeza de toda podridão
Que toda mentira possa sujar.
Mas não se percam nas confusas palavras desses versos-pensamentos.
Pois o dia escuro, como um pesadelo,
sucumbirá num só acinte
no despertar do nascer do sol do dia seguinte.
Marcio Rufino
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